segunda-feira, 4 de junho de 2012

Ponto de vista do turista de Guarujá.


Aproveitei o fim de semana com sol e temperatura amena para receber um casal de amigos turistas, em vez de levá-los aos milhares de pontos turísticos de Guarujá, resolvi acompanhá-los apenas, para ter a visão de um turista que nos visita.

Blog do Farid Madi - Fonte: Google

Fiquei um pouco chocado com suas observações a respeito da cidade.
Numa ou outra praia se recusaram a avançar areia adentro e experimentar o gostinho das nossas águas a banhar-lhes os pés e pernas descoloridas. “Nos disseram que é perigoso circular em algumas praias de Guarujá”, afirmavam e se mantinham na segurança do carro ou da calçada. Sentindo apenas a brisa do mar de Guarujá, de longe.

Fiquei constrangido, também, quando fui obrigado a explicar que a sensação de insegurança decorre mais da incompetência administrativa dos que dominam nossa cidade, do que da índole do nosso povo.

Falei para o meu casal de amigos turistas sobre a energia desperdiçada por nossos jovens, que vivem em busca de quaisquer garantias para seu futuro, através de cursos profissionalizantes e de atividades esportivas e que encontram apenas falsas promessas administrativas e o desemprego permanente como opção.

“Mas e as notícias de assaltos constantes?”, insistiu minha amiga turista. De novo, voltei a defender nossos jovens. “Como podemos condenar juventude guarujaense, que ao longo da atual administração municipal foi deixada à própria sorte e uma pequena parte deles, infelizmente, se tornou refém do crime organizado?”, indaguei, com um peso enorme no coração.

Pois adoraria que nossa cidade se tornasse para nós e para os turistas que nos visitam um exemplo de inclusão econômica, geradora de oportunidades para todos os extratos sociais e todas as idades.

Principalmente para cada um dos nossos meninos e meninas, adolescentes e jovens que são a ponte entre o nosso presente e o futuro de paz, desenvolvimento e prosperidade que desejamos para Guarujá e Vicente de Carvalho.

Farid Madi

Guarujá para todos nós, o ano todo.


Hoje, 4 de junho, li na “Folha” a entrevista do arquiteto José Armênio de Brito Cruz, presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil. Ele é fundador do escritório Piratininga, autor de projetos como a reforma da biblioteca Mário de Andrade, no centro de São Paulo, e o conjunto Comandante Taylor, em Heliópolis, uma das maiores comunidades do Brasil.


Blog do Farid Madi - Fonte: http://x-exclusaosocial.blogspot.com.br

Ao ler sua tese sobre a segregação urbana (que é a reserva de locais para as pessoas ricas e com exclusão das mais pobres) que as cidades fazem pensei na realidade que vivemos aqui em Guarujá e Vicente de Carvalho.


Leia a frase do arquiteto: “A segregação, tecnicamente, aumenta a violência. Seja a segregação do rico no condomínio, seja a reprodução disso nas camadas mais pobres. A integração é contra a violência.”


Quando a gente avalia Guarujá com o olhar de um especialista nos percebemos, infelizmente, numa cidade segregada. Com locais destinados apenas aos turistas, regiões inteiras para condomínios fechados desses mesmos turistas e moradores muito ricos e com bairros alocados para os mais pobres, ou seja, ao nos mantermos em guetos modernos, nos deslocando para as demais regiões apenas para buscar trabalho ou para trabalhar, perdemos a sensação de ter Guarujá à nossa disposição. Segundo o arquiteto, essa seria uma das causas da violência urbana.


O que me anima a pensar, junto com você, meu amigo e minha amiga, a buscarmos uma Guarujá que seja de todos, integrada, sem barreiras, sem áreas reservadas para este ou aquela, só por ser turista ou ter mais dinheiro que a gente. Vamos resgatar Guarujá para todos nós.


Farid Madi



sexta-feira, 1 de junho de 2012

Administração municipal por temporada.


Imagina uma cidade na qual os administradores públicos só trabalhassem de verdade, e mesmo assim se concentrando nos bairros nobres, apenas na temporada de turismo.


Blog do Farid Madi - Fonte: http://heydnayara.blogspot.com.br


Ao longo dos oito meses do ano, fora da temporada, mesmo que o cidadão dessa cidade tentasse perceber a atuação dos seus dirigentes, não os encontrariam. Estariam recolhidos aos seus gabinetes, viajando para participar de congressos, se ocupando de uma rotina burocrática que os mantivessem sempre longe do contato com a realidade dos moradores dessa cidade que estamos imaginando.


E, ao mesmo tempo, manteriam seus moradores e os comerciantes dessa cidade sob rédea curta, cobrando em dia os impostos. E segurando todos os investimentos necessários para proteger as pessoas e suas famílias, para só gastar para impressionar os turistas na época da temporada.


Aí, quando chegasse a temporada, e os turistas de várias regiões do Brasil visitassem essa cidade que estamos imaginando, então a administração local encheria de placas a cidade, gastaria milhões em publicidade e permitiria que parte de sua população pudesse aproveitar das sobras que a atividade econômica geraria.
E quando acabasse a temporada, os administradores públicos dessa cidade se recolheriam de novo aos seus gabinetes, contabilizariam o reforço de caixa que os turistas trouxeram para a cidade e, mesmo assim, por absoluta incompetência administrativa e desinteresse para com a sorte dos seus habitantes, deixariam de investir na qualificação da mão de obra, no asfaltamento das ruas, no saneamento básico e, principalmente, na iluminação e segurança das ruas.


Você, guarujaense, já sabe que qualquer semelhança dessa cidade imaginária com a administração de Guarujá não é mera coincidência.


Farid Madi

Turismo o ano todo em Guarujá


Nós, guarujaenses, vivemos um dilema. Temos plena consciência que o turismo é uma das principais fontes de renda do município, que transfere renda para nossa cidade e gera emprego, principalmente, nos quatro meses da temporada.


Blog do Farid Madi - Enseada/Guarujá - fonte: http://www.visiteguaruja.com


Ao mesmo tempo, sabemos da importância da administração local ter competência para investir em saneamento básico, pavimentação, qualidade da água e segurança públicas como condição essencial para atrair cada vez mais turistas, que passariam a nos visitar até mesmo nos meses fora da temporada.
Pois encontrariam a mesma infra-estrutura hoteleira, as belezas naturais de nossas praias e das áreas de preservação ambiental e, principalmente, o coração sempre carinhoso de nosso povo.


Mas quando nós que aqui vivemos olhamos para a cidade e encontramos problemas graves de pavimentação, ou seja, ruas permanentemente esburacadas; falta de investimentos na qualificação de nossa mão de obra, para garantir excelência no atendimento ao turista dentro e fora da temporada; priorização no treinamento dos jovens e dos adolescentes para integrá-los tanto na temporada como fora dela em atividades voltadas para o turismo e, especialmente, quando temos consciência do descaso com a segurança pública, essencial para que o turista se sinta protegido em nossa cidade, descobrimos que muito tem que ser feito para que possamos aproveitar, plenamente, nosso potencial e gerar oportunidades de ocupação para nossa população ao longo do ano.


Cidades como Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Fortaleza, por exemplo, atraem turistas o ano todo. E a pergunta que todo guarujaense se faz é: por que não podemos desenvolver aqui a mesma receptividade ao turista ao longo do ano?
A resposta salta aos olhos em cada rua esburacada, cada poste sem iluminação, cada notícia de assalto aos nossos moradores e aos turistas: falta de competência administrativa para aproveitar as belezas naturais da cidade e estimular o uso de toda sua infra-estrutura turística ao longo do ano.


Farid Madi